Diário de bordo I

Poucos sabem, alguns desconfiam, mas há pouco mais de um ano tenho buscado levar uma iniciativa adiante, que é o Grupo de Planejamento de Brasília. Ele já existe na teoria, no entanto tenho buscado formas de fazer com que ele aconteça na prática, e nesse corre-corre da vida percebi o quanto é difícil sustentar a proposta. Por isso, acabei tornando-o meu TCC, pois desta forma conseguiria me debruçar sobre a problemática e me dedicar à resolução dela.

No decorrer do trabalho, fiz algumas mudanças e notei a necessidade de direcionar melhor meus objetivos. Depois de conversas com minha orientadora, e de passar pela Banca de Qualificação, o objetivo tangível do Grupo mudou: o que a princípio seria um posicionamento, acabou tornando-se um diagnóstico. Ou seja, eu estava à procura do fim, mas precisava apenas do meio. Aliás, me perdoem o “apenas”. Sem diagnóstico é impossível chegar a uma estratégia efetiva de comunicação, dizem, e o que  o Grupo precisa para agora seria mesmo um posicionamento? Claro que isso o diagnóstico vai me dizer, mas desde já tenho a certeza de que não, ainda não. Então creio que estou no caminho.

Portanto, minha proposta é desenvolver um diagnóstico contendo as necessidades que o mercado planejador de Brasília possui e como o Grupo pode ajudar a supri-las. Para ter essas respostas, tenho feito entrevistas com alguns planejadores da cidade, e hoje tive a oportunidade conversar com a Bruna Petalla, planejadora da Lew’Lara\TBWA. O desenvolver do nosso papo me fez perceber que, às vezes, o mercado acelera de uma forma que é difícil acompanhar. De acordo com Bruna, vagas na área de planejamento estão pipocando no mercado de Brasília. Ligam para ela e perguntam se tem alguém para indicar, e a resposta é: não tenho. Há cerca de três meses, ouvi o mesmo discurso do Ricardo Bauab, um dos primeiros planejadores a valer de Brasília. “Vez ou outra me pedem indicação, mas quase nunca tenho um nome para falar”, disse ele. Janu Schwab, planejador com extensa bagagem paulistana que há um ano está de volta à Brasília, diz que planejamento, agora, é o que a Criação era há 10 anos: moda, e que grande parte daqueles que dizem querer ser planejadores mal sabem do que a área se trata de fato.

Esses discursos somados ao estudo que tenho feito nos últimos meses em prol do trabalho, me fizeram refletir duas coisas:

Coisa 1: a mudança de cenário. Quando comecei a idealizar o Grupo, as vagas ainda eram poucas e tinham profissionais aparentemente juniores interessados aos montes. Agora, o número de vagas tem começado a explodir, e ao que parece, ainda existe muita gente interessada, mas não exatamente num nível mínimo (júnior), e muitas vezes pouco sabem fazer o básico que um assistente precisa fazer.

Coisa 2: o objetivo do Grupo de Planejamento de Brasília. Antes, pensava que o mesmo precisava se posicionar para conseguir se solidificar na cidade, mas agora vejo que o que preciso fazer não é criar o Grupo, e sim ajudar a fortalecer o mercado de Brasília. Pode parecer a mesma coisa, mas isso faz muita diferença em todo o desenvolvimento do trabalho, afinal, o objeto de estudo muda completamente de foco.

Bem, não estou dizendo que não vou continuar com o esforço de levantar o Grupo, e sim que o foco no desenvolvimento inicial dele mudou. É possível unir e ajudar a fortalecer o mercado por meio do Grupo, mas em vez de desenvolvê-lo, é necessário primeiro cooperar com o desenvolvimento do mercado. Ao invés de cursos e oficinas, talvez seja mais interessante fazer grupos de discussão e palestras a curto prazo, e assim por diante… Mas talvez, talvez. Num estalo de pensamento, talvez este seja o formato ideal, mas vamos esperar o diagnóstico para ter certeza de qual caminho tomar. O que posso afirmar a essa altura do campeonato é que um objetivo bem moldado faz toda a diferença.

Account planner detected

Conforme passa o tempo e vem a experiência, descubro o que é de fato trabalhar com planejamento. Aparentemente, o nosso mercado como um todo muito exalta o trabalho criativo e esquece o viés estratégico, que no nosso caso, é o principal instrumento. Posso dizer que esse cenário é mundial, mas se aplica de forma particular no Brasil e em Brasília, onde as pessoas não se planejam, não por falta de querer, mas por cultura, que mesmo inconscientemente tem enraizado o “jeitinho brasileiro” (minha afirmação não é empírica, e sim científica, mas creio que serve, certo?).

Acho que muitos aqui já mostraram trabalhos para algum planejador mais experiente e o mesmo disse: “isso não é planejamento, é criação”; “isso não é estratégia, é ideia”, e ouvir coisas desse tipo é um pouco frustrante, não é? Trabalhar por tanto tempo de uma forma que, acreditava-se, era planejamento, e lá na frente descobrir que não, não exatamente. Aí a gente pensa: tá, mas então o que eu tô fazendo? O que é planejamento, afinal? Essa dúvida assola a mente até de seniores do mundo inteiro, imagine a nossa: planejadores juniores, num país que por cultura pouco planeja, numa cidade onde a demanda é pautada em serviços somada à baixa oferta de empregos na área. Não estamos na melhor das situações, mas sejamos otimistas.

De uns meses pra cá comecei a entender um pouco melhor toda essa atmosfera, e nos últimos trabalhos, me pego fritando os neurônios para deixar de lado as ideias e investir no pensamento analítico e estratégico, que querendo ou não, precisam ser o nosso alicerce. E sinceramente? Só agora, três anos depois do meu primeiro contato com planejamento, consigo afirmar: isso é account planning. Pelo menos pra mim, que ainda sou júnior, dá um pouco de trabalho dissociar algumas camadas, mas nada que o esforço em parar de querer ser para ser de fato não resolva. E tem dado certo.

Mesmo depois da descoberta, gosto do trabalho do planejador, em essência. Mentira, eu amo. Só agora, depois de muito chute: errei, duvidei, me desesperei, surtei, absorvi, entendi e, enfim, aprendi. Sou uma planejadora!

Um aventureiro nas ruas da intuição

“That all that extra information isn’t actually an advantage at all; that, in fact, you need to know very little to find the underlying signature of a complex phenomenon.”

Assim disse Malcome Gladwell em seu livro Blink descision. Devo dizer que esta frase foi uma surpresa, já que venho de uma sociedade onde a racionalidade é uma casa segura para as nossas decisões, e ser racional exigiria gastar um bom tempo analisando dados antes de fazer uma escolha. Intrigado com esta nova perspectiva, comecei a me aventurar longe de casa, nessas ruas da intuição. Perdoem o meu pouco conhecimento, ainda estou novo aqui. Mas, gostaria de compartilhar alguns dos meus aprendizados com vocês.

Cervantes disse certa vez que provérbios são “Frases curtas redigidas por longas experiências!”. Dentre os primeiros aprendizados, descobri que o mesmo pode ser aplicado a Intuição inteligente. Nesta perspectiva tomar decisões intuitivas, decisões emocionais, é um processo de aprendizado deliberado e contínuo. Exige vivência, perder ou pelo menos diminuir os seus preconceitos. Demanda manter os erros por perto.

Nesse pouco tempo nas ruas, também me deparei com um novo atrito, agora com os bancos seguros das faculdades, onde vejo que gastamos muito tempo analisando dados e pequenos detalhes. Creio que ainda é assim em algumas cadeiras seguras de muitas agências também. Na outra perspectiva, a do mundo lá fora, encontrei a fala de Brene Brown, uma mulher que estuda conexões humanas. Segundo ela, histórias são dados da alma. Logo, vejo que a segurança encontrada nesses bancos da racionalidade nos prende a outros tipos de dados baseados muitas vezes apenas em números, enquanto deveria ser o contrário. Nas ruas da intuição, não buscamos apenas analisar dados numéricos, mas viver esses dados, só que os da alma ditos pela Sra. Brown. Isso toca na questão dos vários Não diplomados em publicidade ocupando as cadeiras das nossas agências. Que me perdoem os meus amigos estudantes, mas a vivência é mais importante. Como disse um colega certa vez, o conteúdo da vida nem sempre é propaganda, mas o da propaganda é sempre a vida.

Andando nessas ruas também me deparei com Simon Sinek, e o seu TED “Como grandes líderes inspiram ação”. Aí, está o que julgo mais importante até agora nessa pequena caminhada. Na sua fala, ele nos diz sobre o Círculo dourado.

O círculo dourado

O Sr. Sinek diz que as grandes empresas, ao contrário da maioria, se comunicam de dentro pra fora, na lógica do Círculo dourado. Começam com o propósito, com por que. Segundo ele, se olharmos para o nosso cérebro de cima para baixo, ele é dividido em camadas que se correlacionam com o Círculo dourado.

“Nosso cérebro mais novo, nosso cérebro homo sapien, nosso neocórtex, corresponde ao nosso nível “O quê”. O neocórtex é responsável por todo nosso pensamento analítico, racional e pela linguagem. As duas sessões do meio formam nosso cérebro límbico, e o cérebro límbico é responsável por todos nossos sentimentos, como confiança e lealdade. Também é responsável por todo comportamento humano, tomada de decisão, e não tem capacidade para a linguagem.”

De acordo com esse ponto de vista, quando nos comunicamos de fora pra dentro, estamos oferecendo as pessoas uma quantidade de dados, informações e benefícios, que de fato muitas vezes não influencia o comportamento. O que acontece é que nem sempre estas informações influenciam o comportamento. Você me mostra todos os detalhes e fatos, mas sinto que isso não tá certo. Por outro lado, quando nos comunicamos de dentro pra fora, nós falamos diretamente com a parte que controla o comportamento humano. Começamos e comunicamos pela emoção. Daí nasce as decisões intuitivas. Para Simon Sinek, o que diferencia os líderes e os não-líderes, é que os líderes não tem problemas em seguir a intuição. Com isso, tomam decisões baseadas no que acreditam do mundo, e não pelo produto em si.

Diante dos fatos ditos acima, aos poucos venho convergindo em uma nova estética baseada na intuição, na emoção e nos seus aprendizados. Nesta nova estética, não estou dizendo que a racionalidade é desnecessária, mas assim como a intuição ela é algo que deve ser olhado de outro ângulo. Ora, a racionalidade pode até ser uma casa segura, mas o mundo é extremamente emocional, e é por isso que devemos sair dos nossos condomínios e andar pelas ruas da intuição. É a emoção que une, que faz mudanças, que levantam as melhores perguntas e que engaja várias pessoas a saírem de vários cantos do seu país e irem para o centro de Washington e gritarem juntos “I have a dream!”. É pela emoção que O gigante desperta e que as pessoas vão pras ruas. Líderes apenas inspiram ação, por não terem medo de se aventurar nas ruas da intuição. E é nas decisões intuitivas, que conseguimos concentrar toda a nossa paixão em uma escolha. Como já dizia o mestre Júlio Ribeiro, “Se você quer fazer acontecer, não tema o hemisfério direito do seu cérebro. Nem o seu e nem o de ninguém”. Este é um exercício que estou colocando na minha vida.

O que andamos fazendo pelo nosso Brasil?

Nosso Brasil, nosso querido Brasil está em alta. É, depois que foi anunciado que as Olimpíadas, a Copa e a Jornada Mundial da Juventude estão vindo para cá o mundo inteiro está interessado em nos conhecer.

Saber como é a nossa culinária, experimentar a famosa caipirinha, o brigadeiro, sentir o cheiro da nossa natureza, usar nossos vestidos, ver o nosso mar. O mundo quer saber como somos, como nos comportamos e o que temos para mostrar.

Eis que aqui entra uma questão. E o que temos verdadeiramente para mostrar? Quem somos nós? E o nosso jeitinho? O que as cidades estão fazendo?

Confesso que eu, de uns tempos prá cá, estou mais interessada pelo nosso Brasil, pelas pessoas que vivem aqui e me tornando mais patriota. Acho que não apenas eu, mas uma cambada de jovens que estão espalhados pelos cinco cantinhos do país. De acordo com a pesquisa O Sonho Brasileiro, 89% dos jovens têm orgulho de ser brasileiro e 76% acreditam que o Brasil está mudando para melhor.

E ele está mudando sim, aos poucos os brasileiros estão deixando de lado a dependência do governo e indo à luta, fazendo o país que cada um gostariam de viver. São organizações como a Shoot The Shit que estão inspirando uma galera a cuidar das nossas cidades e resolver problemas que incomodam muito.

Sobre tudo o que  está acontecendo: estou muito feliz pelas pessoas que estão fazendo algo e mais ainda por estar ajudando a fazer também. E vem cá, fazer algo não precisa ter um tamanho específico, basta ter pequenas atitudes que, com certeza farão grandes diferenças. Como não jogar lixo no chão, não sair vandalizando os espaços, ser mais honesto, ocupar os espaços públicos para espalhar uma ideia.

Um dia desses fui assistir a gravação de um programa de televisão da TV Câmara, o Câmara Ligada, um programa voltado totalmente para o jovem e busca trazer a voz deles para dentro de um espaço governamental, já que o auditório é formado por alunos de ensino médio, tanto público como particular. Enfim, o tema do programa era a Ocupação dos espaços públicos, resumindo, as Intervenções Urbanas.

Achei bacana os convidados que estavam presentes: dois grafiteiros, uma antropóloga e uma das fundadoras da CUFA. Os quatro falaram sobre como é importante a saída das pessoas de casa para a segurança da cidade. Uma ocupação em uma praça com um projeto que integre a comunidade, pode mudar a vida de muitas pessoas e deixar um lugar melhor de se viver, e é exatamente isso que acho que o brasileiro tem que fazer mais!

As cidades precisam de mais poesia brasileira, de mais cor, de mais amor e alegria. Porque temos uma alegria única e o jeitinho brasileiro para mim, já não é, há muito tempo, malandragem, mas sim a vontade de vencer e de lutar todos os dias pelos seus sonhos, e é isso que quero que os gringos percebam quando vierem para cá.

Por fim, eis aqui um projeto que conheci mais de perto, o Mais Amor Por Favor. Um projeto que se realizou porque um garoto percebeu que poderia mudar a vida das pessoas através de mensagens em lugares públicos. O que espero é que tenha mais amor nas nossas cidades, nos brasileiros, e que isso esteja presente para sempre, não apenas quando os turistas chegarem aqui.


São Paulo 459 anos, mais amor por favor from bonspensamentos on Vimeo.

Menos inteligência, por favor.

“Você não tem que ser um gênio para saber programar, basta ser determinado”. Vanessa Hurst, criadora do “Girl Develop it”, junto com outros grandes nomes como Zuckenberg e Bill Gates, disse estas palavras para falar sobre a importância das aulas de programação nas escolas. Não adentrando no conceito de códigos de programação, as palavras de Hurst cabem bem ao que venho discutir hoje: a forma como aprendemos.

Eu devia ter seis ou sete anos, quando em casa, tentava alcançar uma fruta no pé de mexerica que havia no meu quintal. Depois de várias tentativas, erros e mais erros, alcancei a desejada fruta. Eu não tinha percebido que minha tia observava a tudo de longe, então ela saiu de onde estava e disse sobre a minha teimosia e determinação, que eu devia continuar com ela e me esforçando sempre, não parar no primeiro “não” que me aparecesse. Na época não refleti sobre estas palavras, mas guardei-as bem para que as tivesse hoje comigo. Em contrapartida, havia a minha escola, cercada de burros e inteligentes, e claro, professores e próprios alunos ditando quem se encaixava em tais categorias. Sempre questionei o fato de tratarem a inteligência como uma grandeza que pode ser medida com base na memorização de regras prévias, e não no incentivo do aluno a assumir um ponto de vista, e a correr atrás de algo novo, criativo, diferente. De fato, devo dizer que isso não se aplicava a todos os meus professores, mas a grande maioria.

Mas e aí, o que eu quero trazer com estas duas histórias? Bem, muitos dizem que o profissional do futuro é aquele com o famoso Vai lá e faz! Fazer acontecer!, e é aí que entra o nosso principal ponto: enquanto a primeira encoraja desafios, o correr atrás, a segunda diz respeito à inteligência e nada mais. É um dilema que convivi durante anos, já que a nossa sociedade prega que ser inteligente significa não cometer erros. Com isto, de um tempo para cá comecei a refletir sobre esta inquietação: a de reaprender a aprender.

Carol Dweck passou anos estudando os pilares para uma boa educação, ao qual segundo ela, é a capacidade de aprender a partir dos próprios erros. Ela argumenta que, professores, ao invés de elogiar os seus alunos pelo esforço, o fazem pela esperteza e inteligência nata, e que isso é um total equívoco, pois leva-nos a enxergar os erros como sinais de burrice, e não como blocos a partir do qual o conhecimento é construído. Ela diz que, “Quando elogiamos uma criança pela inteligência, estamos dizendo a elas que o jogo é assim, pareça inteligente, não corra os riscos de cometer erros”.

Tiago Mattos, Diretor Whatever da Perestroika, diz sobre o novo papel do professor em uma palestra no TEDx, sendo um deles o incentivo aos alunos aumentarem sua zona de desconhecimento e de passarem uma inspiração para que o aluno busque-o, questione, pense, crie um ponto de vista, e o mais importante, faça. Uma educação feita a partir do remix de ideias, da inteligência conectiva , construída sobre o pilar da emoção, ao qual segundo ele, é o estado em que nós seres humanos estamos mais propícios a ligar os pontos. E então, aqui eu resgato Jonah Lehrer, que em seu livro “O momento decisivo”, diz acerca da inteligência presente em nossas emoções, e que uma das maiores qualidades do nosso cérebro emocional é a nossa capacidade de aprender a partir dos nossos erros. Segundo ele, “Os erros não devem ser desencorajados. Pelo contrário, devem ser cultivados e investigados com muito cuidado”.

Ora, aqui neste blog falamos de um processo contínuo de nos tornarmos planners, e isto envolve antes de tudo aprender. Por esta razão, eu não poderia deixar de pensar sobre. Olhando sobre tais perspectivas ditas acima, vejo que este processo de aprendizado envolve emoção, que envolve a maior das nossas capacidades do cérebro emocional, que como diz Jonah Lehrer, é a capacidade de aprender a partir dos próprios erros. Uma educação construída sobre desafios, esforço, transpiração. Então quando Kiran Bir Seth fala sobre a infecção do “Eu posso”, e lança um movimento global, o Design for change (um projeto que incentiva crianças a tornarem-se mais atuantes, oferecendo a oportunidade para estas mudarem sua própria realidade), ela refirma todas estas minhas inquietações: Precisamos de menos inteligência e mais determinação. Menos pessoas cheias de certezas, e mais agentes transformadores. E isso vai contra todas as regras de escola, vestibulares e concursos públicos que vemos por aí. Penso que é assim que vamos conseguir potencializar, e ligar os pontos desta grande conexão que as a nossa sociedade vivencia. É preciso reaprender a aprender.

Incorporando tudo isso a este meu processo de ser planner, devo dizer que eu não quero ser um planejador inteligente. Muito pelo contrário. Eu quero ser um planejador esforçado, com o espírito aprendiz construído com base nos desafios; um planejador que não desisti no primeiro, segundo ou terceiro não; possuidor da veia vai lá e faz, e com essa infecção do “Eu posso”. Um planejador que a cada dia aumenta mais e mais sua zona de desconhecimento, e com o espírito para conhecer, explorar e buscar aquilo que acredita. Um planner e um eterno aprendiz, destes que defendi aí em cima, que não tem medo de aprender. Por fim, concluo deixando uma saudação, e um viva aos nossos erros, que nos movem pra frente.

O job pai de todos os jobs

O trabalho do planejamento precisa engajar as pessoas. Ouço isso desde que comecei a estudar planejamento e preciso dizer que concordo. Não que seja um dever exclusivo da área, mas como o start do job dentro da agência vem com o planejamento, se ele não pensar assim todo o resto se complica.

Porém, penso que existe algo maior por trás disso e eu acredito ser um job pai de qualquer outro job que surgir. Esse job é longo, se não eterno, porque ele nunca tem fim e é constante. É um job de puro engajamento com o público mais importante para qualquer planner: seus colegas, sua equipe.

Não adianta ficar pensando o tempo todo no público da marca X que você atende se não pensar nos demais que vão executar esse trabalho com você. Isso porque antes de engajar o público alvo da marca, o planner precisa engajar a sua própria equipe – afinal, como já ouvi muitas vezes, por mais brilhante que seja o PPT do planejamento, não é ele que vai pra rua.

Já vi e ouvi muitas histórias onde o planejamento teve uma ideia genial, mas no final a campanha saiu bem mediana ou completamente divergente do que o planner diagnosticou. E esse tipo de situação acontecia justamente porque todo o resto da equipe não se engajou com o trabalho proposto pelo planejamento.

E não adianta pensar que esse é um trabalho em partes, job por job, do tipo “dessa vez como eu vou convencer os outros da minha ideia?”. O planner não pode ser aquele fica arquitetando maneiras de fazer os outros aceitarem o que ele diz de qualquer maneira. Tudo é um trabalho de confiança. Da mesma forma que o consumidor só vai se ligar a uma marca quando sentir que pode confiar nela, a equipe de um job só vai se engajar com o planejamento quando sentir que pode confiar, que o que ele diz é bom não só para o cliente, mas para agência e para toda uma equipe.

Fazer tudo isso não é algo fácil e muito menos acontece de um dia pro outro. É um trabalho constante que envolve as atitudes e comportamentos de uma pessoa para a outra. Assim, deixo para refletir: o quão comprometidos estamos com esse job pai de todos os jobs?

Aperte o play!

Jovem é visto como agente transformador seja na geração X seja na geração Y, isso não é novidade para ninguém. A vontade revolucionária do jovem foi o que inspirou e mudou a sociedade ao longo dos tempos e é com essa mesma vontade de transformar que eu venho hoje dizer nesse texto as minhas experiências dos últimos dias.

Uma semana atrás participei de uma série de palestras, o evento tinha como tema principal o Vai lá e faz e foi organizado pela Matriz Comunicação, a agência onde trabalhei e aprendi por muito tempo. Sobre as palestras, enfim cada um com seu conteúdo me inspiraram a ser uma pessoa muito melhor, os palestrantes jovens, seja por idade ou por espírito, trouxeram para o auditório um bocado de ideias de projetos que podem mudar um pouco o mundo e contribuir para que ele seja um espaço melhor de se viver.

Na mesma semana, assisti o vídeo da pesquisa realizada pela BOX1824 que contava sobre o Sonho Brasileiro e lá descobri que apenas 8% dos jovens de todo Brasil realmente estão fazendo algo. Parei para pensar e cheguei a uma conclusão: Esses jovens mesmo sendo minoria, estão conseguindo realizar suas microrevoluções, como é chamado no vídeo, realizando seus sonhos e transformando o cotidiano do coletivo aonde vivem utilizando a tecnologia para mobilizar pessoas e trabalhar de forma colaborativa por uma causa maior.

Um bom exemplo para se demonstrar isso é o projeto Imagine na Copa, jovens que ao invés de sentar na cadeira, entrar no Facebook e reclamar que o Brasil não está pronto para Copa do Mundo fizeram ao contrário e foram mudar o que podiam para preparar nosso país para esse evento, já que o governo né? Está lá, sentadinho em suas cadeiras caras. Então, o projeto é tão bacana que está mobilizando jovens dos cinco cantos do Brasil para trabalharem em pró a uma causa.

Bom, são os jovens catalisadores que promovem um espaço de inspiração, isso está bem claro, mas ainda como fazer isso? Se eu não conseguir? E se meu projeto é caro demais? A semana inteira que se passou me fez fazer uma série de perguntas sobre o meu projeto de final de curso. Eu sei que preciso fazer algo que tenha um impacto aqui por onde eu moro, eu quero ajudar as pessoas ao meu redor, mas a preocupação de como executar isso foi o que estava pesando a minha consciência. Depois dessa semana e de ver a quantidade de pessoas que podem me ajudar, a minha primeira lição foi de fechar os olhos e acreditar, ter coragem para encarar tudo e dormir algumas noites um pouco menos para que tudo venha dar certo, a segunda é um punhado de lugares que dá para arrecadar uma grana para investir no projeto, um deles é o Catarse, que já conhecia, mas que percebi o quanto foi importante para alguns projetos que foi apresentados, para as pessoas que ainda não conhecem, o Catarse é um ótimo exemplo de plataforma colaborativa onde você posta um vídeo dizendo sobre o seu projeto e tenta convencer as pessoas acreditarem nele e investir.

Depois de vivenciar e refletir sobre tudo isso um filme fechou minha semana com chave de ouro e eu recomendo a todos verem, Oz, Mágico e poderoso me passou a seguinte lição: o mais importante não é ter o dinheiro, ter pessoas para te ajudar, ter toda uma estrutura se não acreditar e trabalhar com amor no que faz, porque como o próprio Mágico diz: “Nada é impossível quando se acredita”. E isso deve ser levado em conta em nossos projetos pessoais quanto profissionais, trabalhar sem amor é perda de tempo, de neurônios, estressa e faz mal para o coração. Quando se trabalha com amor, se trabalha com a alma, se acredita que o teu trabalho pode mudar a vida de alguém e fazer um mundo melhor de se viver. Em uma das partes da pesquisa sobre o Sonho Brasileiro uma frase que ficou na minha cabeça foi: “Pontes conectam espaços, sonhos, vidas. Heróis reais fazem isso.” Seja um herói real e faça o que ama, se junte com pessoas que acredita também no teu projeto e realize!